As vezes no silêncio da noite o coração palpita em busca de alguém, um alguém que já se foi, um alguém que está longe demais pra ouvir as súplicas, alguém que não se importa o suficiente para voltar, e a vida continua e o coração tenta se calar….. em vão já que a saudade é maior que ele, tão maior que chega a transbordar, transborda lágrimas pelos olhos e o espelho da alma fica chorando.
Era madrugada, a rua era silenciosa e escura, extremamente assustadora, o vendo frio fazia meu corpo estremecer eu não sabia para onde ir, o sino da igreja cortou rispidamente o silêncio torturante da ruazinha de pedras, não havia ali um feixe de luz sequer, era vazio, escuro e frio… De uma forma estranha sentia-me em casa, com os atalhos que havia percorrido aprendi a viver no escuro, mesmo assim embora fosse familiar aquele lugar me remetia tamanha agonia impossível de descrever. O estranho é que por mais que eu corresse com toda minha velocidade parecia que eu andava em círculos e estava presa ali, destinada a passar o resto da minha eternidade vagando por um segundo mundo que eu jamais queria ter conhecido, no momento que a ceifadora me chamou eu deveria ter ido, mas preferi fugir, meu medo de encarar a morte me trouxe para esse lugar que é ainda pior do que o nada onde eu provavelmente iria estar se tivesse aceitado de bom grado que meu tempo havia acabado….
Chega dessas histórias mal acabadas, chega de ler os velhos livros com suas páginas amareladas e desejar um final diferente. Acabou, ACEITE!
É hora de renovar, tomar outra xícara de café e começar a escrever novas histórias enquanto os velhos livros se queimam na fogueira, é hora de começar de novo e não “recomeçar” Recomeço me lembra algo como “uma nova chance para a mesma história” e sabe de verdade isso não dá certo não. O que todo mundo precisa é apagar as histórias antigas, deixar queimar mesmo e começar coisas novas.
O que me diz de uma noite em Paris ?
De repente tudo que tu precisa é falar, não necessariamente falar “com” alguém ou “pra” alguém, tu só precisa falar, sabe tirar o peso de ti e deixar sair tudo que está guardado. E quantas vezes tu não se pegou escrevendo até as mãos cansarem e mesmo com as mãos amarradas em fios de nylon escreveu até a folha ser lavada de sangue, e quanto mais tu precisa escrever mais o nó se aperta e mais difícil fica deixar tudo sair. É uma questão um tanto curiosa, quando tu decide se livrar de tudo sempre arrumam uma maneira de deixar algo ficar.
Em todos os caminhos que passei e todas as diferentes coisas que presenciei não pude deixar de notar a semelhança nas diferenças, em como não importa se eu vou entrar num beco escuro ou acordar numa manhã ensolarada eu sempre me perco de quem quer que seja, não faz diferença andar no claro ou no escuro, quem quer se perder se perde onde for.
Não há diferenças em ver o sol se pôr e ver o sol nascer, é apenas mais um ciclo sem fim na vida. De que adianta fazer planos sob as estrelas se assim que o sol nascer tudo vai ficar esquecido ?
Não importa o contexto que é utilizado as palavras sempre serão palavras, estas incapazes de realizarem-se por si só. Amar alguém é assinar sua sentença de morte, não física mas interior, querer alguém para si é como querer juntar o sol e a lua de uma forma natural…
Passam as horas, os dias, os meses, os anos, mudam-se as estações e nada permanece do que um dia já se foi, as palavras sob as estrelas ficaram enterradas na grama verde assim que o sol nasceu e as promessas, os momentos e as verdades ficaram guardadas sem que ninguém soubesse nada a respeito e quando perguntado “O que é que tanto falaram?” a única resposta aceitável é “Nada que faça alguma diferença”
Eu amo amar você- doce alento (via docealento)
Tantas vezes perdidos no caminho nos encontramos e cada vez tu me apunhalou de uma forma diferente, palavras ditas não vão ser esquecidas, por mais que o tempo passe as tuas palavras ficaram marcadas em minha pele, as cicatrizes tomam conta de mim. O que tu está esperando ? Venha, caminhe até mim novamente, me decepcione de uma forma diferente já que teus joguinhos estão perdendo a graça. Tenha coragem, olhe em meus olhos enquanto tu me fere, olhe para mim enquanto minha pele se enche de cicatrizes que você mesmo cria, ande na minha direção fale o que tiver que falar sem indiretas, agora o jogo começou, tenha a coragem que tu nunca teve olhe em meus olhos e aperte o gatilho, coloque um fim nisso antes que eu faça isso por você.
Chega uma hora que a estrada torna-se repetitiva, então percebemos que o tempo todo andamos em círculos, nos perdemos nos mesmos atalhos e viramos sempre nas mesmas curvas. As vezes alguém se perde na nossa estrada e então volta para seu caminho deixando-nos novamente sozinhos e aflitos.
De tanto caminhar, de tanto passar sempre pelos mesmos lugares eu cansei, simplesmente cansei de ver a história se repetir, de ver pessoas ir e vir quando querem me deixando sempre aqui, perdida no meu próprio caminho. Cansei de procurar respostas, procurar pessoas e procurar caminhos. Cansei de escrever histórias, criar outros mundos e viver cada palavra, eu cansei de ler meus velhos livros, cansei de brincar com as palavras, eu cansei de derramar minhas lágrimas, cansei de ver sangue escorrer na tentativa de entender o que estava acontecendo, eu cansei, cansei de tudo, cansei de todos, cansei dos finais inacabados, cansei de sempre procurar meus sonhos, agora eu me perdi e só procuro ser encontrada.
Tomo então a ultima taça de vinho sentada no meio de tantas garrafas vazias, e algumas garrafas quebradas, assisto o fogo consumir tudo ao meu redor enquanto minhas lágrimas tentam apagar a chama que só aumenta. No meu colo um velho livro empoeirado cujas páginas amarelas contam histórias, contendo rabiscos, e mesmo assim contam as mais belas histórias, embora grande parte não possua um final, não encaro como algo “ruim” e sim como algo que continua, vidas sem fim, uma imaginação que nunca vai morrer.
No final das páginas vejo teu nome riscado e me pego viajando na minha máquina do tempo que casualmente chamo de “mente” e volto para os dias ensolarados que estive ao seu lado, tudo tão limpo, tão claro, tão cheio de cor, lágrimas escorrem em forma de felicidade misturada com saudade meio que tentando dizer “Nada foi em vão”. Estava tudo começando a se acertar, poderia viver daquele jeito o tempo que fosse preciso sem reclamar da arrumação ao meu redor, mas conforme caminhei te perdi em algum atalho que segui e embora eu tenha refeito todos os meus passos você seguiu seu caminho sem mim, mesmo que levando partes de mim contigo.
Volto para a realidade, onde é meu lugar, na minha bagunça, na minha rotina, seguindo sozinha pelos atalhos, virando nas curvas erradas as vezes, mas talvez seja assim que tem que ser, nunca fui muito fã do arco-íris, me contento com minha vida em seus vários tons de cinza hora ou outra com algumas manchas de sangue vermelho.
Abri a gaveta de memórias e me deparei com toda uma vida gravada em pequenos objetos cheios de histórias, saudade, dor, nostalgia tomando conta, e cada lembrança gritando e tomando forma dentro de mim ultrapassando toda e qualquer verdade. É muito para mim controlar as memórias que me invadem, me permito ser tomada por essa onda de saudade de tudo que já passou. Ouço vozes, vejo alguns rostos borrados, e revirando os papeis ali no fundo da gaveta encontro você, o mais simples objeto, porém o mais marcante, o que com sua leveza marcou meu coração, deixando-o com uma cicatriz do teu nome gravado em meu peito.
E num descuido meu vejo tudo que guardei queimar, o fogo só aumenta e a dor indescritível tomando conta de mim agora. Cinzas, todas as memórias transformaram-se em cinzas, os monstros das recordações foram queimados, nada sobrou. As fotos, as lembranças, as cartas, os momentos, tudo se foi, uma parte transformada em fumaça desaparecendo pelo ar, e o resto ali no chão do quarto esperando ser esquecido já que não existe mais nada para fazer lembrar. O fogo tomou conta de tudo e tirou tudo de mim, afinal as lembranças eram tudo que haviam me restado pra contar histórias que eu escrevi, eu vivi e deixei ali mesmo que sem um fim.
Agora fantasmas me assombram, e convivo diariamente nesse misto de medo, saudade, dor e agonia, e por mais que eu tente fugir ou finja esquecer, os fantasmas que me cercam não são nada além de mim, nada além das minhas várias partes que morreram pouco a pouco a cada história sem fim, e cada vez que supliquei para que você ficasse, e cada vez que gritei teu nome, cada vez que vi meu sangue escorrer em forma de dizer “por favor fique um pouco mais” eu morri, a verdadeira chama veio de dentro de mim, queimando de dentro para fora me consumindo, cortando, quebrando e matando por dentro.
Alguns me disseram para olhar para o futuro, mas isso se tornou impossível quando me acorrentei ao meu passado e me entreguei ao meu destino, seguindo pelas estradas da vida sem me importar se aquele atalho era escuro demais, ou se haviam muitas pedras no caminho, simplesmente me entreguei e me deixei levar, sem sentir medo das estradas que percorri, e sem esperar pelo caminho que futuramente vou seguir. Em algum dos atalhos que segui eu te encontrei, não sei ao certo onde foi, apenas me dei conta que não estava caminhando sozinha mais, aceitei a ideia da companhia e acabei me acostumando a não andar sozinha pelos becos escuros… Quando a luz apareceu, olhei para os lados e não te encontrei, gritei teu nome, mas você não estava mais ali e nem em lugar nenhum, e eu também não sei em que esquina te deixei, e agora não há nada que eu possa falar, parece que tudo foi em vão.
Olhando para a lua durante as noites frias via seu rosto refletido na luz do luar, corri, chorei, gritei, refiz meus passos, mas você desapareceu como fumaça, o que permaneceu em mim foram apenas as suas palavras ecoando em minha mente cada vez que tento fechar meus olhos e me desligar desse mundo. Por mais que eu lute contra essa incontrolável vontade de você parece que tentar não pensar me faz pensar ainda mais. Talvez nossas diferenças sejam grandes demais para ficarmos bem, ou talvez sejamos tão iguais que as nossas peças não se encaixam, a verdade é que não há motivos concretos e nem mesmo um culpado real, tudo que veio foi, os sonhos acabaram e os pesadelos voltaram a me assombrar todas as noites. As mentiras foram reveladas, e a verdade como sempre apareceu, dura, fria e aterrorizante, tão clara me fazendo preferir o escuro, já que agora todos os meus passos até aqui me pareciam irreais.
A escuridão agora não é o problema, o problema é haver um alguém nessa escuridão, que vai me acompanhar e desaparecer quando amanhecer, mas não contente em sumir sozinho precisará levar um pedaço meu, e assim vou ficando… ficando com um pedaço meu em cada lugar e com uma nova cicatriz em mim. Não há para onde fugir, não há o que fazer, os sonhos se perderam pelo caminho, a estrada foi desaparecendo atrás de mim, as decepções me acompanharam cada vez que caí, e a cada recomeço vou esperando pelo fim. Correndo pelas estradas, seguindo o meu caminho, e hora ou outra seguindo um atalho, me perdendo num beco escuro e virando a esquina errada. Entre os erros e acertos vou talvez encontrando os pedaços de mim que perdi por aí.
Sentada na varanda as 3h da manhã olhando para o nada me vejo presa em um filme de recordações, trancada dentro de mim mesma sem ter para onde fugir, cada onda de memórias me puxa para meu mar de lembranças, mal posso respirar me afogo em mim mesma sem poder fazer nada para impedir. Cada “nova imagem antiga” se forma involuntariamente e vou sendo forçada a reviver cada momento, por mais que eu tente nadar eu afundo mais e mais, tomada por essas ondas de emoções e sentimentos, derramo lágrimas incontroláveis, por um segundo gostaria de parar o tempo. Diante de meus olhos me vejo crescer, me vejo errar, me vejo cair, e também me vejo sumir dentro de mim mesma.
Eu poderia ter feito tudo diferente, ter seguido por outros caminhos, caminhado por outras estradas, mas aí estaria mudando meu próprio destino, estaria deixando de ser eu. Cada falha, cada erro, cada defeito me completam e me transformam em mim, sem isso tudo não saberia quem eu sou. Às vezes é bom se deixar levar por um caminho desconhecido, é bom para aprender…
Imagens borradas, manchadas e sem cor completam minha viagem de volta ao passado, finalizando meu filme preto e branco me deixando ali, na beira do mar consumida pelas emoções, tomada por sentimentos e insegura sobre o que está por vir, tantos amores passados, histórias sem fim que ganharam seu espaço na prateleira de histórias inacabadas, amigos que se foram e voltaram, pessoas que se foram e simplesmente me deixaram. Cada página de cada livro, cada foto marcada por lágrimas tem no fim meu nome gravado com meu sangue, é tudo parte de mim.
Andando em círculos perdida no caminho hora ou outra posso te ver, correndo em algum canto fugindo de alguém, talvez fugindo de mim, mas algo sempre me impede de chegar até você. Pouco a pouco sua presença foi se tornando memória, e depois lembrança. Hoje você não passa de um fantasma que me assombra nas noites frias e escuras quando eu saio pra tentar me encontrar, mas tudo que eu vejo é neblina, nada além de neblina. Eu vi você escapar das minhas mãos como fumaça, eu escapei também, me perdi de mim quando você fugiu. Os gritos em minha mente se calaram, não sei por quanto tempo vou aguentar essa ida e vinda de vozes me dizendo para não desistir de tentar.
Meus gritos na verdade nunca se calam, até mesmo quando perco as forças, de um jeito ou de outro alguém tem que falar que por mais que pareça certo tudo está errado. Os livros estão todos bagunçados e as suas páginas espalhadas pelo chão, algumas de minhas histórias escondidas em algum canto debaixo das mesas, no meio dos cacos com meu sangue e meu coração. Essa bagunça toda só me faz ver que quanto mais eu tento organizar tudo, as coisas se bagunçam por si só como um aviso que não se deve mexer no que já foi deixado para trás.
Eu sei que já não adianta mais gritar, minhas lágrimas e meu sangue não são suficientes para te provar que eu sinto sua falta, não te peço para voltar apenas peço para me devolver, talvez assim ambos possamos continuar, hora ou outra nos esbarrando pelos atalhos que certamente iremos seguir. Nossas mentes estão cheias, nossos corações quebrados e nossas vidas vazias.
Eu sempre soube que as coisas acabariam assim, você num canto e eu em outro como dois completos estranhos sentados a beira do caminho em direções opostas guiados por um destino que nos enganou, confiando cegamente em coisas incertas deixando para trás nossa maior incerteza que nos motivava a acreditar que de incertezas se formam coisas certas. Mas de certa forma agora, perdidos novamente tudo voltou para seu devido lugar, tudo bagunçado é claro, mas da forma que deve ser, papeis espalhados pelo chão e uma prateleira de histórias inacabadas, e é aí que você está, na minha coleção de histórias mal contadas, todas com começo porém sem fim. Porta-retratos quebrados pedaços de vidros espalhados no chão do quarto, algumas páginas dos livros manchadas de sangue… Nada na verdade importa.
Dizer que tudo acabou é um erro, na verdade tudo ficou inacabado e minha verdade me trai quando eu tento dizer que um dia vai passar, nós sabemos que não vai, pode ser que hora ou outra nos deixemos passar, mas sempre que olharmos para o livro empoeirado na estante vamos nos lembrar das palavras que ficaram ali gravadas, e vamos nos lembrar dos pensamentos involuntários, vamos nos lembrar das lágrimas que derramamos e do sangue que escorreu em forma de dizer “eu sinto sua falta”.
Mas dizer isso e qualquer outra coisa é inútil é em vão, estamos longe demais, você está longe demais para me ouvir gritar pelo seu nome cada vez que me faltar força para continuar, mas eu sei, ou pelo menos acredito que você vai ficar melhor assim. Tantos planos foram feitos, tantos sonhos foram estraçalhados, esmagados pelo destino e triturados pela verdade. Gastei horas lutando contra meus pensamentos, pensamentos que me invadiam quando tudo que eu queria era esquecer. Cansei de lutar, apenas aceitei que sua verdade é diferente da minha e que não importa quantas lágrimas vou derramar ou quantas vezes vou ver o sangue escorrer, você está longe, sempre esteve e sempre vai estar.
Eu tentei fugir, tentei me esconder, e tranquei tudo que havia em mim, continuei andando, andando em círculos tentando desviar dos seus rastros tentando fugir de você. Fiz-me de forte, sorri para não chorar e segui assim, fingindo que nada havia acontecido, como se você nunca tivesse existido, deixei você sumir por completo sem nem mesmo buscar qualquer notícia sua, mas a notícia chega até mim. O destino nos pegou de surpresa nos colocou em direções opostas e você ganhou seu lugar na minha prateleira de histórias inacabadas. Todas as palavras ditas estão gravadas nas páginas do “nosso” livro, e espero não ter que queimar nossa história. De sonhos e planos você se tornou fragmentos de memórias que nem sequer foram reais, ou devo dizer reais para os outros já que em meus e em “nossos” supostos sonhos existiram.
Meus sorrisos me sufocaram quando tentei fingir que tudo havia passado e me vi novamente procurando por você mesmo sabendo que já não iria te encontrar, que agora tudo mudou e os sonhos foram comidos pelos monstros que nos cercam, as pedras no caminho nos venceram e não fomos tão fortes como pensávamos ser. Deixamos para segundo plano nossos planos para o futuro e no exato momento que poderíamos nos encontrar uma nuvem de fumaça tapou nossos olhos fazendo-nos seguir por caminhos opostos. Nos perdemos antes de nos encontrarmos…
Eu continuei tentando segurar sua mão e pensando que talvez esse caminho seja o melhor para você, eu tentei gritar, na verdade gritei tanto que me faltou voz, mas você já estava longe demais para me ouvir, nenhuma palavra a ser dita mudaria a situação. Voltamos então ao início, memórias que torturam, lembranças que sufocam, sonhos que enlouquecem, e de brinde garrafas quebradas e corações vazios.